SÃO PAULO – O presidente do Conselho de Administração da BR Foods e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, criticou nesta sexta-feira a possibilidade de recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
“Acho surpreendente que o primeiro tema a ser discutido após a eleição seja a criação de imposto que onera, inclusive, a exportação”, afirmou após participar de reunião na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.
Ele ressaltou que o impacto da recriação da CPMF dependeria da alíquota aplicada, mas enfatizou que, independentemente do valor do tributo, há na medida um risco à indústria nacional.
“Quando o PIS e a Cofins (Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) foram criados, a alíquota era de 0,5% sobre o faturamento, e o pagamento só era feito seis meses depois. Com a inflação, reduzia-se o tributo a praticamente zero. Hoje, PIS e Cofins então entre os impostos mais relevantes sobre a produção e também foram criados como contribuição social”, argumentou.
Furlan acredita ser desnecessária a criação de um novo imposto, já que a arrecadação “bate recorde todos os meses”. “A arrecadação cresce acima do PIB (Produto Interno Bruto). Nesse momento, precisamos fomentar o crescimento (da indústria nacional) tirando as travas que existem hoje de carga tributária, infraestrura e burocracia”.
Ele ainda comentou que existe uma preocupação generalizada em relação ao câmbio, mas em sua opinião, não há “uma varinha mágica” que combata a forte valorização do real frente ao dólar.
“Você aumenta o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), há um impacto no curto prazo, mas em um mês a situação volta a ser a mesma de antes”, avalia. Ele evitou comentar qual seria o caminho mais adequado para se enfrentar a apreciação cambial, mas destacou que existem ferramentas que podem ajudar as empresas a se tornarem mais eficientes e competitivas.
Fonte: Valor Econômico
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