sexta-feira, 21 de maio de 2010

Contas transparentes


Mais próximos da comunidade, os governos municipais e estaduais seriam os mais fáceis de fiscalizar pelos contribuintes ? desde que as contas sejam acessíveis e transparentes. Para assegurar o conhecimento mais detalhado das receitas e das despesas dos municípios e dos Estados, foi incorporada em 2009 à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) a exigência de que, até 27 de maio deste ano, todas as unidades federativas com mais de 100 mil habitantes deveriam divulgar em tempo real as suas contas, sob pena de serem suspensas as transferências voluntárias federais, que alcançaram R$ 8,7 bilhões em 2009. Ao aproximar-se o prazo fixado, parte dos 273 municípios mais populosos do País ainda não atendeu ao requisito e pede prorrogação do prazo.

O prefeito de Vitória, João Coser, presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, disse que o descumprimento do dispositivo legal se deve ao fato de não ter sido baixado o decreto de regulamentação, cuja minuta está parada na Casa Civil. A Controladoria-Geral da União (CGU), no entanto, esclarece que a lei é autoaplicável e a sanção, automática.

Não se pode aceitar também a alegação de que há municípios sem condições de cumprir a determinação da LRF. Pode ser que isso se aplique a municípios menores, que têm até 2013 para divulgar suas contas pela internet, mas não naqueles com mais de 100 mil habitantes ? e, na hipótese implausível de não terem funcionários capacitados para a tarefa, tais municípios sempre têm os meios para terceirizar o serviço.

Os municípios que não se prepararam para o cumprimento da lei já estão pressionando o governo para não serem penalizados. Tais pressões decerto aumentaram esta semana durante a realização da 13.ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, patrocinada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Afinal, mesmo que a lei seja autoaplicável, o decreto que estaria dormindo na mesa da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, faz falta. A lei deixa claro qual deve ser o conteúdo das informações, mas é preciso que os dados sejam apresentados de maneira uniforme, de acordo com conceitos contábeis bem definidos, de modo a facilitar análises comparativas ? e isso não está regulamentado.

As informações seriam de maior utilidade se fossem constantemente atualizadas. A CGU constata que apenas 12 Estados já lançam em tempo real no Portal da Transparência os dados mais recentes sobre receitas de impostos, transferências federais obrigatórias e voluntárias, ao lado de pagamentos feitos a pessoas físicas e jurídicas, bens e serviços adquiridos, bem como o nível de endividamento. Nota-se, igualmente, que o grau de abertura das contas em Estados que mais arrecadam, como São Paulo, é menor que naqueles com uma receita muito inferior.

Em uma visão mais abrangente, observa-se que a LRF, há dez anos em vigor, não só vem sendo eficaz, como vem evoluindo, especialmente nos níveis dos Estados e municípios, que têm dado uma contribuição apreciável para o superávit primário do setor público. Estudo recente da CNM mostrou que o nível de endividamento dos municípios, que era, em média, de 8,04% da receita líquida corrente em 2002, caiu para 0,81% em 2008. Outro dado expressivo: em 2008, ano de eleições municipais, as sobras de caixa das prefeituras foram, em média, de 6,4% da receita líquida, o que é uma demonstração de que o conceito de austeridade fiscal vem se firmando. A propósito, a ONG Contas Abertas promete divulgar, dentro de três meses, uma avaliação de como se comportam as contas dos 273 municípios com mais de 100 mil habitantes, como primeiro passo para um levantamento mais acurado das contas públicas em geral.

A grande contradição fiscal brasileira é que o governo central usa a Lei de Responsabilidade Fiscal para manter sob rédea curta as despesas e o endividamento dos Estados e municípios, sem respeitar, ele próprio, qualquer limite.

Fonte: Estado de São Paulo

Brasileiro trabalha até dia 28 apenas para pagar tributos


Os brasileiros terão de trabalhar até a sexta-feira da próxima semana, dia 28 deste mês, apenas para cumprir suas obrigações tributárias com os fiscos federal, estaduais e municipais. Serão 148 dias de trabalho no ano, um dia a mais do que os trabalhados em 2009 e o mesmo número de 2008.

O cálculo faz parte do estudo sobre os dias trabalhados para pagar tributos, divulgado ontem pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). Segundo o estudo, hoje os brasileiros trabalham quase o dobro do que trabalhavam na década de 1970 (76 dias) apenas para os fiscos.

Os brasileiros estão entre os que mais pagam tributos no mundo, perdendo apenas para os suecos (185 dias) e os franceses (149 dias). Os espanhóis (137), os norte-americanos (102), os argentinos (97), os chilenos (92) e os mexicanos (91) trabalham menos do que os brasileiros.

Com base no estudo, o IBPT diz que 40,54% da renda bruta dos contribuintes estará comprometida neste ano com tributos.

Nesses 148 dias, os três fiscos arrecadarão quase R$ 500 bilhões --ontem, o Impostômetro (painel na capital paulista que registra, em tempo real, a carga tributária no país) já marcava mais de R$ 460 bilhões.

Os 148 dias foram calculados para o rendimento médio mensal. Para a baixa renda (até R$ 3.000), são 141 dias trabalho (de 1º de janeiro até hoje). Para a média renda (R$ 3.000 a R$ 10 mil), são 157 dias, ou seja, até 6 de junho. Para a renda alta (mais de R$ 10 mil), serão 152 dias -até 1º de junho.

O IBPT também calculou quanto os brasileiros comprometeram de sua renda bruta para pagar tributos sobre a renda, o patrimônio e o consumo. Na média, 40,54% da renda de cada cidadão estará comprometida neste ano com os três níveis de governo. Em 2009, foram 40,15%, e, em 2008, 40,51%.

Fonte: Folha de São Paulo

Fazenda vai recomendar veto ao perdão de dívidas na MP 472


Para evitar perda de arrecadação e aumento dos gastos com pessoal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar pelo menos dois pontos da extensa e polêmica Medida Provisória n.º 472, aprovada na noite de quarta-feira pela Câmara dos Deputados.

Por orientação do Ministério da Fazenda, o presidente deve barrar o perdão de multas, juros e encargos legais das dívidas referentes ao uso indevido do crédito-prêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a possibilidade de renegociação dessa dívida, assim como a incorporação de mais de 20 mil servidores de Rondônia pela União (ver box ao lado).

No caso do crédito-prêmio do IPI, a disputa das empresas com o governo federal é bem antiga. Esse crédito foi criado em 1969 para incentivar as exportações de produtos industrializados, permitindo que as empresas compensassem o imposto recolhido por meio de créditos tributários no mercado interno.

O problema é que, apesar de o benefício ter deixado de vigorar em 1990, várias empresas conseguiram na Justiça o direito de continuar compensando o imposto. Esse impasse só foi superado no ano passado quando o Supremo Tribunal Federal decidiu pela extinção do crédito. Com isso, a dívida das empresas com a União, segundo estimativas da Receita Federal, beirava à época os R$ 300 bilhões.

O texto da MP prevê ainda que as empresas que aderiram ao Refis da Crise em 2009 poderão optar pelo parcelamento da dívida até 30 de junho. "Estamos analisando as emendas aprovadas e vamos pedir que sejam vetadas todas as propostas que possibilitem reabrir o parcelamento de dívida e novos benefícios como redução de multas no âmbito da lei que criou o Refis da Crise", disse um técnico do governo.

Dívida agrícola. A Câmara aprovou ainda as emendas que permitem renegociação de dívidas agrícolas. Somente o perdão das dívidas abaixo de R$ 10 mil deve custar cerca de R$ 1,6 bilhão. Por outro lado, os deputados aprovaram uma proposta que, segundo o Ministério da Fazenda, impossibilita renegociar dívidas de 4,5 mil produtores de cacau da Bahia, assim como impede novos empréstimos a agricultores que contraíram dívidas.

Na avaliação do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), o texto aprovado atende uma parcela maior de produtores de cacau, ao conceder descontos mais atraentes aos agricultores com dívidas acima de R$ 50 mil.

Fonte: Estado de São Paulo

Comissão aprova isenção de imposto sobre ganho de capital de empresas


A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio aprovou ontem o Projeto de Lei 6714/09, do Senado, que isenta de impostos o ganho de capital obtido por empresas com a venda de bens como imóveis, máquinas e veículos. A proposta, do senador Marco Maciel (DEM-PE), foi apresentada para combater efeitos da crise financeira internacional de 2008, a partir de sugestão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O relator, deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), defendeu o texto. “O projeto está bem estruturado para permitir o alívio tributário benéfico à economia empresarial, sem permitir que haja brechas para comportamentos fraudulentos”, disse.

A proposta beneficia as empresas que vendem bens do seu ativo para modernização de instalações e equipamentos ou para levantar recursos. As regras da Receita Federal não permitem a atualização monetária de imóveis, máquinas e veículos desde janeiro de 1996. Principalmente no caso dos imóveis, de maneira geral o valor de mercado supera o valor contábil.

Em razão disso, Marco Maciel entende que o ganho de capital – diferença entre o valor contábil e o valor mercado – é artificialmente inflado, não representando a valorização econômica real dos bens. Isso resulta em tributação excessiva, que inibe a redução da necessidade de capital de giro das empresas e prejudica as firmas que renovam equipamentos.

Conta própria

O PL 6714/09 isenta empresas tributadas com base no lucro real do pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o ganho de capital obtido na venda de bens do ativo imobilizado. Atualmente, incidem sobre o ganho de capital alíquotas de 15% do IRPJ (que pode ser acrescida de mais 10%) e de 9% da CSLL – no caso de instituições financeiras e de seguros privados sobe para 15%.

Segundo a proposta, o ganho de capital deverá ser registrado em uma conta de reserva de lucros específica no Livro de Apuração do Lucro Real da empresa. A segregação desses ganhos pretende evitar que o saldo seja distribuído entre os acionistas, sócios e dirigentes como dividendos e lucros do ano fiscal. Caso isso ocorra, o ganho de capital voltará a ser tributado normalmente.

O projeto estabelece ainda que o Poder Executivo estimará a renúncia fiscal provocada pela isenção e acomodará o impacto na lei orçamentária. As medidas só produzirão efeitos a partir do dia 1º de janeiro do ano subsequente à inclusão da renúncia no Orçamento. Consultada, a Receita Federal não soube quantificar o impacto do projeto, porque hoje os impostos decorrentes do ganho de capital das empresas não são analisados separadamente.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário. e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara

Primeira Seção deve definir se Judiciário pode extinguir execução fiscal de valor irrisório


A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu submeter à Primeira Seção o processo que discute se o Judiciário pode extinguir execução fiscal ajuizada por ente público, ante o valor irrisório do processo executivo. A questão está sendo discutida em recurso interposto pelo município paulista de Presidente Prudente.

O município impetrou um mandado de segurança contra ato do juízo de primeira instância que extinguiu execução fiscal ajuizada por ele, de valor inferior a 50 ORTNs (Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional), ao fundamento de que não há interesse de agir da municipalidade, em razão do valor irrisório do processo executivo.

No mandado de segurança, o município argumentou que o cancelamento de débito de pequeno valor é ato privativo da Administração Pública, não sendo possível que essa providência seja suprida pelo Judiciário. Segundo ele, essa decisão judicial incentiva o não pagamento de tributos, sendo incompatível com a moralidade pública. O Tribunal de Justiça de São Paulo extinguiu o mandado de segurança sem julgamento do mérito.

No STJ, o município ratifica a fundamentação inicial, ressaltando que “a extinção de execuções fiscais de pequeno valor constitui-se violação a direito líquido e certo da Fazenda Pública que, ao teor da Lei Federal n. 6.830/1980, deve ajuizar execução fiscal para cobrança de qualquer valor”.

A Primeira Seção é composta pelos ministros Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Francisco Falcão, Luiz Fux, Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell e Benedito Gonçalves.

Fonte: STJ

Volta da CPMF fica sem apoio dos candidatos


O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, disse ontem que a sociedade e a economia não aceitam mais o aumento da carga tributária, "a maior do mundo em desenvolvimento". A criação de uma contribuição social, nos moldes da extinta CPMF, para financiar exclusivamente os gastos da saúde deve ser tratada no âmbito de uma reforma tributária. As afirmações foram feitas durante a 13ª Marcha Nacional de Prefeitos, promovida pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Serra foi o primeiro dos três principais presidenciáveis a ser sabatinado pela CNM. Depois dele, falaram as candidatas do PV, Marina Silva, e do PT, Dilma Rousseff. Os três responderam a nove perguntas idênticas e tiveram cinco minutos para cada resposta.

No passado, Serra, que foi ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso entre 1998 e 2002, criticou a extinção da CPMF, ocorrida em 2007. Ontem, diante de uma plateia de 4.500 pessoas, dos quais metade era de prefeitos, o candidato do PSDB disse ser contrário à prática de se criar imposto para resolver um problema específico.

A candidata Marina Silva também disse que a criação de um novo imposto para a saúde deve ser discutida no contexto de uma reforma tributária. "Me comprometo com a emenda 29 [da saúde], mas puxadinho tributário não dá mais", declarou.

Dilma Rousseff, ao tratar do mesmo tema (o financiamento da saúde), não falou em criação de novo imposto, mas também defendeu a realização de uma reforma tributária. Ela prometeu, se for eleita, regulamentar a emenda 29, destinando mais recursos para a saúde. Ela acredita que o crescimento da economia aumentará a arrecadação e, portanto, viabilizará mais verbas para essa área.

Durante o evento e em entrevista concedida após a sabatina, Serra aumentou o tom das críticas ao governo Lula. Disse que o resultado líquido das desonerações tributárias feitas pelo governo em 2009 foi negativo em R$ 1 bilhão para os municípios; que o governo não regulamentou a emenda 29, "desacelerando a saúde"; que as agências reguladoras dessa área, além de outras, como a Anatel e a Aneel, foram loteadas politicamente; que foi "inadequado" colocar os projetos do pré-sal para votação em ano eleitoral. Ele criticou mais uma vez a política monetária do Banco Central.

"O consumidor brasileiro é o que mais paga juros reais no mundo. O juro do crédito consignado é o maior do mundo", disse ele. "A despesa com o Bolsa-Família é menos de 1% da despesa com juros que o atual governo tem, a partir de uma política monetária exaltada hoje pelos integrantes do governo", comparou. Serra se irritou com a pergunta de um repórter, que queria saber se ele pretende acabar com o Bolsa Família. "Isso é uma mentira boba. Vou fortalecer o programa."

Os presidenciáveis trocaram farpas. "O Brasil não precisa de um gerente, mas de um líder. Lula reduziu a pobreza e Fernando Henrique fez o [Plano] Real porque são líderes", disse Marina durante a sabatina, ironizando a fama de gerente de Dilma Rousseff. "Temos que deixar essa discussão sobre quem é mais gerente ou tem mais currículo. O Brasil é maior do que nosso passado individual", afirmou ela, referindo-se respectivamente à Dilma e a Serra.

Marina apontou falhas do governo Lula. "Não vou esconder feitos positivos, mudar nome de programa para reescrever a história. A Bolsa-Família foi um passo, mas precisamos de foco em oportunidades", disse Marina. Ao se queixar do tratamento recebido do governo, a candidata contou que deixou o Ministério do Meio Ambiente porque "queriam revogar o plano de combate ao desmatamento".

Dilma rebateu, durante entrevista após a sabatina, a crítica feita por Serra, de que o atual governo não está respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal. Segundo ela, o governo Lula foi o único que teve superávit primário (resultado que não contabiliza a despesa com juros) de 3,2% ao ano, em média, exceção feita no momento da crise, quando esse percentual caiu para 2,1%. A petista disse que o governo tucano teve, nos dois iniciais do primeiro mandato, déficit primário, além de não ter produzido "um milímetro" de superávit nos dois anos seguintes.

Dilma justificou a situação fiscal brasileira. "Acumulamos US$ 250 bilhões em reservas, que, se necessários, vão se transformar em liquidez. Além disso, liberamos R$ 100 bilhões em compulsórios para evitar a quebra do setor privado e emprestamos R$ 180 bilhões para o BNDES financiar obras de infraestrutura." Para a candidata, a situação brasileira é invejável diante de outros países. "Temos 3,3% de déficit nominal e 49% de relação dívida/PIB [na verdade, relação é menor: 42,1% do PIB]. A França, por exemplo, tem 77% na relação dívida/PIB e 7% de déficit nominal", comparou.

Os três presidenciáveis foram aplaudidos. Os organizadores do evento acertaram antes com os prefeitos que não haveria vaias nem manifestações político-partidárias. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, criticou os candidatos. "Metade das perguntas não foram objetivamente respondidas, talvez mais que a metade. A avaliação não é da entidade, é muito pessoal minha", ponderou.

Fonte: Valor Econômico

Gargalos travam competitividade brasileira


Gargalos institucionais (como leis defasadas e sobrecarga tributária) e de infraestrutura (logística e tecnologia) ainda travam a competitividade do Brasil no cenário internacional.

A oitava economia do mundo ocupa apenas o 38º lugar num ranking com 58 países feito pela faculdade suíça Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Administração, em parceria no Brasil com a Fundação Dom Cabral (FDC).

O estudo, que mede o ambiente de negócios, considera dados oficiais e entrevistas com empresários.

A posição brasileira, contudo, já foi pior. Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil subiu no ranking. As duas posições avançadas em 2010 foram conquistadas graças à melhora na gestão das empresas e à resiliência do mercado de trabalho durante a crise.

Quesitos como flexibilidade ante novos desafios e adaptabilidade a mudanças puxaram o Brasil para uma posição menos desconfortável. O desempenho econômico, especialmente no que diz respeito à atividade doméstica, seguiu como outro ponto de relativo conforto.

As principais fraquezas, contudo, continuam na falta de eficiência do governo em todas as esferas -nesse segmento, o Brasil está entre os lanternas, em 52º- e na infraestrutura deficitária, segmento que inclui logística, tecnologia, ciência, educação, saúde e ambiente.

Leis defasadas, carga tributária alta, ausência de marcos regulatórios, burocracia excessiva para abrir empresas e firmar contratos de exportação são algumas das travas, que "seguram" a competitividade.

"Na variável sobre a facilidade de fazer negócios nos países, numa escala de 1 a 7, o Brasil está em 2,3. As empresas têm a percepção de que o Brasil é um país importante para estar, mas que requer mais cuidado e custo. No tempo para abertura de empresas, estamos entre os piores", diz Carlos Arruda, professor da Dom Cabral responsável pelos dados brasileiros.

"Esse é o pilar mais crítico, que impacta os demais, principalmente o de infraestrutura, que depende de ações do governo." Durante a entrevista, por Skype, de Arruda à Folha

, a conexão foi cortada três vezes. O quesito infraestrutura tecnológica (que mede a qualidade de serviços como a banda larga ofertada no país) o Brasil ficou na 53ª posição.

Em infraestrutura como um todo, o Brasil caiu de 46º para 49º, afetado principalmente pela precariedade dos portos e das hidrovias e pelo preço dos serviços de telefonia celular.

Para Juan Quirós, vice-presidente da Fiesp e ex-presidente da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o estudo leva a concluir que as áreas mais sensíveis para a competitividade no Brasil são saúde e educação (40ª e 53ª posições, respectivamente) e que é preciso "modernizar" a legislação.

Exemplo desses problemas, diz, são as barreiras para investimento externo em saúde.

"Subir [no ranking] é positivo, mas temos de focar o que pode nos levar para a 30ª posição. Estamos cansados de diagnósticos. Agora, temos de agir."

Mundo afora

Pela primeira vez em décadas, os EUA saíram da primeira posição do ranking, ultrapassados pelos pequenos Cingapura e Hong Kong, que conseguiram se organizar de forma mais competitiva.

Os países europeus, fortemente afetados pela crise econômica global, foram os que mais perderam posições, abrindo espaço para economias com classe média ascendente, como Taiwan (foi do 23º lugar para o 8º) e Malásia (do 18º ao 10º).

Fonte: Folha de São Paulo

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