A Secretaria de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz) reuniu nesta quarta-feira (27) a equipe da área da receita pública para acertar os detalhes da implementação do pacote com ao menos 50 medidas temporárias para melhorar a arrecadação estadual, sobretudo a do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), a principal fonte de receita própria das unidades da federação. A previsão é que as ações comecem a ser colocadas em prática já na próxima semana, por um período de 60 dias.
O pacote é uma determinação do secretário de Estado de Fazenda, Eder Moraes, e conforme ressaltou o secretário-adjunto da Receita Pública da Sefaz, Marcel Souza de Cursi, que conduziu a reunião, foi elaborado como uma forma de precaução do Governo do Estado diante da crise financeira mundial, apesar das perspectivas de recuperação da economia. A ideia é, no mínimo, manter os mesmos patamares de arrecadação do ano passado.
Entre as medidas prioritárias previstas estão: o mapeamento da entrada de combustíveis no Estado; a intensificação da fiscalização nas transportadoras de cargas e nas empresas varejistas, por meio de cruzamento de dados. Também será estreitada a parceria com as empresas aéreas no combate à evasão fiscal no Estado.
No âmbito do trânsito de mercadorias, serão desenvolvidas ações, de um dia, como: fiscalização “formiguinha” (pick-ups, carros de passeio com grandes bagageiros, vans etc); fiscalização de baús com eixo levantados; verificação de mercadorias nas cabines (sofá-cama); abertura do máximo de cargas possíveis, priorizando segmentos críticos de acordo com a região fiscal; entre outras.
Serão priorizadas as legislações em andamento, principalmente dos Projetos de Lei que viabilizarão a receita. Na área de pesquisa e investigação fiscal, será feito o cruzamento entre a base fazendária disponível e a base de trânsito de outras unidades de fiscalização fronteiriças, a fim de identificar irregularidades, omissões e inconsistências.
Embora a crise financeira mundial ainda não tenha se manifestado de maneira tão intensa em Mato Grosso, o governador Blairo Maggi reforça a necessidade de cautela nos gastos públicos, sem prejudicar a regularidade do pagamento de salário dos servidores e o repasse de recursos aos poderes constituídos. O secretário Eder Moraes lembra que Mato Grosso foi o primeiro Estado brasileiro a anunciar o contingenciamento dos gastos públicos, assim que a crise econômica eclodiu no Brasil, no último quadrimestre de 2008.
No primeiro quadrimestre de 2009, a receita pública de Mato Grosso somou R$ 2,6 bilhões, 9,2% (variação real, ou seja, descontada a inflação) a mais que no mesmo período do ano passado e 5,4% maior que o previsto para os primeiros quatro meses. De janeiro a abril de 2009, Mato Grosso arrecadou R$ 1,281 bilhão, 3,05% a mais que no mesmo período do ano passado (R$ 1,244 bilhão). Na comparação com o previsto para os quatro primeiros meses do ano, houve um decréscimo de 0,40%. A meta era recolher R$ 1,287 bilhão de ICMS no primeiro quadrimestre.
A reunião desta quarta-feira teve a participação dos assessores, superintendentes, gerentes e seus primeiros substitutos da área da receita pública. Foi realizada no auditório do Detran, em Cuiabá.
(Fonte: Gazeta Digital, 27/5/09)