SÃO PAULO - Os incentivos às importações divulgados no início do mês, como a cobrança única de ICMS nas importações por estados, elevaram as compras brasileiras no exterior. De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), apenas dez dos 27 estados do País conseguiram registrar alta do saldo comercial na comparação entre o primeiro trimestre de 2009 e deste ano, e, destes, cinco tiveram um forte aumento.
A queda da balança comercial brasileira tem como principal motivo a variação cambial. Segundo o professor Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, o câmbio prejudica os exportadores e auxilia os importadores.
“Mesmo com os incentivos do governo federal e com o acordo para eliminar a bitributação do ICMS entre Espírito Santo e São Paulo, as quedas estaduais e nacional, no saldo comercial, estão diretamente ligadas ao câmbio inferior da moeda norte-americana. Precisamos de uma moeda forte. Para termos equiparação e competitividade interna e externa, o dólar deveria estar a R$ 2,40”, apontou.
Dados do ministério apontam para o fato de que as exportações de 23 unidades da federação tiveram crescimento no mês de março de 2010, com relação ao mesmo período do ano passado. As exportações tiveram, no mês de março, um crescimento de 33,2% em relação a março do ano passado, tendo variação acumulada no ano de 25,8%. Contudo, as importações registraram aumento de 49,8% no mês, e acumulam no ano um crescimento de 36%.
Análise da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) indica que em 2010 as exportações devem crescer em torno de 20%, chegando a US$ 184 bilhões, e que as importações crescerão a uma taxa bem mais elevada, na casa dos 33%, chegando a US$ 170 bilhões. Com isso, o superávit se reduziria para US$ 14 bilhões.
A meta para este ano, segundo o Boletim Focus desta semana, passou de US$ 10 bilhões de saldo comercial para US$ 12 bilhões.
Economistas entrevistados pela reportagem avaliam que este valor projetado pelo governo não deverá ser alcançado, uma vez que no primeiro trimestre do ano o superávit é de US$ 1.6 bilhão.
“Será difícil atingirmos os US$ 12 bilhões, mas não será impossível: temos as safras de meio de ano”, disse Mauro Calil, diretor do Centro de Estudos Calil & Calil.
“O preço das commodities tanto minerais quanto agrícolas está subindo, o Brasil é o principal fornecedor de muitos produtos e o único de outros; com isso, devemos elevar o saldo e atingir a meta proposta”, completou Leite.
Dentre os estados que apresentaram crescimento em suas vendas, o destaque foi o Maranhão, que exportou US$ 484,912 milhões no mês passado, contra US$ 122,638 milhões no mesmo período de 2008, apresentando um aumento de 295%. O Rio de Janeiro também registrou elevação, com crescimento de 175%. O estado embarcou US$ 1,807 bilhão, sendo que em março de 2009 os embarques foram no valor total de US$ 656 milhões.
A Região Sudeste vendeu ao mercado externo US$ 8,856 bilhões, com uma participação de 56% na pauta exportadora.
Os três estados que compõem a Região Sul tiveram embarques de US$ 2,8 bilhões (17%). No ranking, seguem-nos os das Regiões Centro-Oeste, com US$ 1,6 bilhão (10%), Nordeste, com US$ 1,5 bilhão (10%), e Norte, com US$ 666 milhões (4%).
Fonte: DCI
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