Com o objetivo de reduzir os custos das peças de reposição do ramo eletroeletrônico, será formada uma força-tarefa nos próximos dias para pressionar o governo federal a reduzir impostos. As taxas incidentes sobre os componentes, segundo a Associação Brasileira das Entidades Representativas e Empresas de Serviço Autorizado em Eletroeletrônicos (Abrasa), em muitos casos, representam até seis vezes o valor real da peça. O peso da tributação prejudica também a competitividade das fábricas, que precisam manter em estoque um volume preestabelecido de peças. O assunto foi debatido ontem em São Paulo, no primeiro dia da Eletrolarshow 2010, feira de eletroeletrônicos da indústria e do varejo.
"Se em um acidente o consumidor tem o painel de sua TV de LED quebrada, ele terá que desembolsar uma vez e meia o valor do produto final para ter seu equipamento consertado", exemplifica o presidente da Abrasa, Norberto Mensorio, que frisa ainda a necessidade de atenção especial ao consumidor, que nos últimos anos vem investindo pesado em bens duráveis.
A incidência de tributos como ICMS (que variam de 7% a 18%), Imposto de Importação (que pode chegar a 80% em alguns casos) e IPI (10% a 24%), segundo o dirigente, atinge diretamente o consumidor nos casos em que não há mais garantia do produto ou quando o serviço não oferece cobertura em função do tipo de incidente que provocou o dano. Dos cerca de 36 mil atendimento feitos pelos agentes autorizados dos fabricantes no Brasil em 2009, 37% estavam fora da cobertura. "Muitos desses foram obrigados a descartar o produto porque não tiveram condições de arcar com o custo de reposição da peça. Na linha marrom, por exemplo, o descarte está na faixa nos 20%", informa ele, que minimizou a responsabilidade dos fabricantes com relação à disponibilidade de peças. A oferta vem se mantendo, assim como o prazo de atendimento, que para casos mais complexos leva em média sete dias para ser solucionado.
O grupo de trabalho vai pleitear junto ao governo que entre 2% e 3% do volume de peças produzidas pelas indústrias sejam internalizadas na Zona Franca de Manaus - percentual médio utilizado atualmente em reposição.
O impacto da medida reduziria em até 70% os custos ao consumidor, e a renúncia fiscal, em um cálculo preliminar, não atingiria 0,5% do valor consolidado que a indústria recolhe de imposto.
Fonte: Jornal do Comércio
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